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Em fevereiro de 2022, apresentei meu trabalho de conclusão de curso na Residência Médica de Pediatria: foi uma revisão simples e pequenina, mas feita com muito compromisso e carinho, com o auxílio de uma orientadora maravilhosa. Reuni informações e escrevi "Uma revisão sobre a pandemia das telas", no qual falei sobre uso de telas por crianças e adolescentes, "linkando" o assunto com a pandemia de covid-19.
Tempo de tela: haveria mesmo um tempo seguro, saudável?
Durante a pesquisa e a escrita, me vi refletindo acerca do tal "tempo de tela": haveria mesmo um tempo seguro, saudável? Então, trago pra cá um trecho do meu trabalho sobre isso.
Ao afirmar que haveria um tempo seguro de exposição a telas, sugeriria-se que dentro de um número de horas não haveria consequências negativas e que a partir deste tempo, haveria
Tempo de tela versus faixa etária
Sociedades e academias de saúde determinam tempo de tela de acordo com a faixa etária (tabela 1), mas isso tem sido questionado, pois ao afirmar que haveria um tempo seguro de exposição a telas, sugeriria-se que dentro de um número de horas não haveria consequências negativas e que a partir deste tempo, haveria. Contudo, a maioria das recomendações são baseadas em consenso de especialistas, não havendo evidências robustas de que seja neste sentido que as telas sejam prejudiciais à saúde.
A ideia por trás desta crítica é que um jovem que permanece 1 hora brincando com um jogo virtual violento não teria a mesma experiência que um adolescente que pratica 1 hora de yoga guiada por aplicativo ou uma criança que permanece 1 hora em aula virtual de música, interagindo com o professor ou com seus pais.
Para que uma criança se desenvolva plenamente, nos aspectos físico, emocional, mental e social, é preciso que haja períodos diários de atividade física, contato com natureza, momentos de interação com família e amigos, períodos de ócio, sono de qualidade, tempo para higiene pessoal e brincadeiras. Podendo também ser incluído algum tempo de tela nesta rotina.
Então, falar somente sobre o tempo que se passa nas telas talvez não seja suficiente, sendo possivelmente até mais importante focar a atenção para o modo como as telas são utilizadas - quais locais, momentos, conteúdos, com quem e com quais objetivos -, mantendo-se o cuidado de não substituir atividades essenciais tanto para o desenvolvimento quanto para qualidade de vida, por tempo em telas.
Falar somente sobre o tempo que se passa nas telas talvez não seja suficiente, sendo possivelmente até mais importante focar a atenção para o modo como as telas são utilizadas
Conviveremos com a tecnologia e as telas (vieram pra ficar, imagino), e elas podem ser nossas grandes aliadas, mas é importante que estejamos sempre reflexivos sobre o assunto, sobre o uso que fazemos, avaliando os efeitos em relação à saúde e qualidade de vida (seja dos jovens ou de nós, adultos).
Segue, então, algumas sugestões para uma relação mais saudável entre crianças e eletrônicos:
- Não leve as telas para os momentos das refeições
- Na hora de dormir, substitua por um podcast de historinhas ou uma leitura
- Se lhe vier à mente qualquer ideia (qualquer outra atividade), em vez de deixar os pequenos no celular, no ipad ou na TV... faça isso
- Se for da sua vontade ou necessidade, dê o aparelho eletrônico na mãozinha da criança, mas escolha (você!) o que ela vai assistir ou jogar (ou dê opções e a oriente a escolher dentre elas). E esteja sempre por perto supervisionando
- Entenda que é muito melhor permanecer 2 horas assistindo a um filme com conteúdo bacana (para a faixa etária ou contexto de vida) do que 30 minutos em redes sociais (porque rede social não é lugar para nossas crianças)
Com carinho,
Paula Borges
Pediatra
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